orientação de pesquisas de pós-graduação

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Elaine Gomes Vidal

Elaine Gomes Vidal

Doutorado – Data da defesa: 12/03/2021 (FEUSP/SP)

Título: Aprendizagem da ortografia sob o viés das práticas interativas

Resumo: Considerando que a aprendizagem da língua escrita, para além da reflexão discursiva, depende da elaboração de aspectos notacionais, e que a interação em sala de aula afeta esse processo, a pesquisa teve como objeto a aprendizagem da ortografia, contemplando a progressão dessa aquisição em dois eixos de abordagem: a interação da criança com o adulto e a interação entre pares. Valendo-se do referencial teórico dos estudos psicogenéticos e histórico-culturais (a concepção das crianças como sujeitos ativos e protagonistas da aprendizagem; a língua como prática social e a aprendizagem como construção do indivíduo na relação com as experiências vividas), assumiu o objetivo de analisar o modo como a aprendizagem da ortografia se constitui e como, em diferentes momentos, as práticas interativas podem gerar possibilidades de reflexão. Para tanto, o estudo de caso longitudinal, feito com alunos de uma escola privada em Santos/SP, contemplou cinco etapas entre o 2º e o 4º ano do Ensino Fundamental, período em que a aprendizagem da escrita convencional passa a ser um dos principais focos de reflexão dos alunos. A coleta de dados foi realizada com base na escrita de ditados de palavras e nas reescritas de textos, considerando-se tanto o processo como o produto dessas atividades. Os dados demonstraram que as crianças progridem no desempenho ortográfico conforme avançam na escolaridade, apropriando-se das regularidades diretas, regularidades contextuais e irregularidades da escrita – geralmente nesta ordem. Na interação com o adulto, a análise das referências usadas para a correção da escrita revelou quatro categorias: a escrita justificada pela pauta sonora, a validação da ortografia com base em alguém mais experiente (um “interlocutor autorizado”), o apoio na imagem visual da palavra e a evocação da norma ortográfica. Já nas interações entre as crianças, verificou-se diferentes graus de reflexão pautados por situações de conflitos, situações de centralização dos encaminhamentos por um aluno e situações de acordos pautadas em critérios linguísticos ou em acordos sociais. A comparação entre os tipos de produção revelou que os alunos obtiveram melhores resultados ortográficos nos ditados de palavras do que nas reescritas de textos. A partir da compreensão sobre da aprendizagem da ortografia e do potencial das situações interativas nesse processo, foi possível vislumbrar implicações pedagógicas que sugerem a revisão de práticas de ensino.

Andrea Beatriz Gonzalez Frigo

Andrea Beatriz Gonzalez Frigo

Data da defesa: agosto de 2020 (FEUSP/SP)

Título: Um game a serviço da cultura escrita: a experiência com a educação infantil

Resumo: Considerando a contradição entre o avanço das contribuições científicas e o cenário educacional brasileiro de baixo aproveitamento escolar, a presente pesquisa, tomando a língua escrita como objeto de investigação, teve por objetivo conhecer as concepções e as práticas docentes que incidem no processo de alfabetização, isto é, os condicionantes que afetam as propostas de escrita na escola. Para tanto, os referenciais interacionistas de aprendizagem e dialógicas de língua (Piaget, Vigotski, Bakhtin e Ferreiro), ancoraram o estudo de caso realizado em duas classes de Ensino Fundamental 1 (1º e 2º anos) da Escola Municipal de Ensino Fundamental Espiridião Rosas (SP). Visando mapear o trabalho desenvolvido em cada turma e, ainda, a perspectiva de progressão no Ciclo de Alfabetização, o estudo pautou-se em três eixos de investigação, que foram analisados nos âmbitos teórico e prático (mais especificamente, o dizer e o fazer das professoras): a língua, o processo de ensino e aprendizagem, e a interação em sala de aula. As duas entrevistas realizadas com as respectivas professoras de classe, as 54 observações das atividades de ensino da escrita e os dados complementares registrados em um Diário de Campo constituem o corpus de investigação deste estudo. O resultado da pesquisa mostra que concepções, nem sempre conscientes, subsidiam a ação docente, e que, mesmo quando estas são claramente assumidas, não garantem a concretização das diretrizes de ensino assumidas ou a otimização dos processos de aprendizagem Decorre dessa conclusão a necessidade de repensar a formação inicial e em serviço dos professores, investigando como esses processos têm se colocado na constituição dos docentes, bem como na articulação que podem fazer entre teoria e prática. Palavras-chave: Língua escrita. Alfabetização. Concepções docentes. Prática pedagógica. Ensino-aprendizagem. Interações em sala de aula.

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Dalila Gonçalves Luiz

Dalila Gonçalves Luiz

Data da defesa: 09/03/2020 (FEUSP/SP)

Título: Um game a serviço da cultura escrita: a experiência com a educação infantil

Resumo: Esta investigação tem o objetivo de compreender, explicitar e analisar a construção cognitiva de crianças ao final da Educação Infantil em relação à cultura escrita. Pautada na concepção interacionista de educação, sustentada pelos referenciais teóricos construtivistas e histórico-culturais (particularmente nos estudos liderados por Piaget, Ferreiro, Teberosky, Vygotsky, Bakhtin, Geraldi, e Soares) e na metodologia ativa Aprendizagem Baseada em Problemas – ABP (representados por Mennin; Coll, Mauri e Ornubia), a pesquisa utilizou, como instrumento de coleta de dados, o game Qual é o problema? (Programa Cultura Escrita, elaborado por Colello e Luize). O jogo foi estruturado com base em 51 situações-problemas distribuídas em quatro aspectos da cultura escrita, que constituem os eixos de análise da pesquisa: Comportamento Leitor; Propósitos Sociais; Modos de Falar e de Escrever; Gêneros, Portadores e Configurações Textuais. Como procedimento metodológico, quinze duplas de crianças, matriculadas no último ano da Educação Infantil de uma escola pública municipal de São Paulo, participaram do game, constituindo, com suas 153 respostas, o corpus desta investigação. Os dados foram classificados em cinco categorias, distribuídas em um continuum de construção cognitiva (a progressiva aproximação com concepções e comportamentos mais convencionais da/na cultura escrita): A (Não compreende a situação / não sabe a resposta / com escapes); B (Lógica própria incorreta para a situação); C (Lógica própria viável para a situação); D (Lógica própria próxima da convencional); E (Lógica convencional). As conclusões do estudo apontam para a complexidade e a heterogeneidade dos percursos de construção cognitiva, em função das oportunidades de reflexão e das experiências vividas dentro e fora da escola. Isso fica evidente tanto pela oscilação, individual e coletiva, na competência em diferentes eixos (alguns mais desafiantes que outros), como pela pluralidade de tendências das respostas das crianças em cada categoria. Como implicações desta pesquisa, é possível situar: a necessidade de políticas sociais de valorização da cultura escrita e de revisão dos currículos escolares; a importância de investir, desde muito cedo, na imersão dos alunos na cultura escrita, dando continuidade nos demais segmentos escolares; e, por fim, no âmbito da formação de professores, a necessidade de romper com paradigmas reducionistas no ensino da língua escrita e na avaliação dos desempenhos das crianças. Palavras-chave: Cultura escrita. Ensino da língua escrita. Tecnologia na Educação. Resolução de problemas. Game.

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Renata Fiorim Siqueira

Renata Fiorim Siqueira

Data da defesa: 03/04/2018 (FEUSP/SP)

Título: Práticas pedagógicas: como se ensina ler e escrever no ciclo de alfabetização?

Resumo: O presente estudo está inserido na Linha de Pesquisa “Educação, Linguagem e Psicologia” do Programa de Pós-Graduação da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (USP). Considerando o ensino da língua escrita como a função primeira da escola a fim de formar leitores e escritores proficientes, justifica-se o Ciclo de Alfabetização como âmbito privilegiado de atenção, sobretudo quando se tem em vista os resultados insatisfatórios das pesquisas de avaliação do desempenho escolar. Nessa perspectiva, o presente trabalho tem como objetivo o estudo das práticas pedagógicas nas classes de 1º ao 3º ano do Ensino Fundamental. Partindo da hipótese de que, no contexto escolar, pode haver oscilação nas propostas de ensino com diferentes implicações para o processo de aprendizagem, o foco da investigação está nas práticas e intervenções docentes. Assim, o estudo constitui-se pela observação de seis turmas do Ciclo de Alfabetização em uma escola da rede pública estadual paulista, na cidade de São José dos Campos, em dois diferentes momentos (2014 e 2015), com o intuito de registrar as propostas de trabalho no ensino da Língua Portuguesa a partir de quatro eixos: a natureza da atividade, a natureza da demanda feita ao aluno, a natureza linguística da proposta e a natureza interacional na dinâmica de produção da turma. Os dados foram coletados com base nas concepções dialógica de língua (Bakhtin), e interacionista de aprendizagem (Piaget e Vygostky); mais especificamente, na alfabetização como processo constituinte da pessoa pela progressiva aproximação do aluno com as culturas do escrito em situações de reflexão e efetiva comunicação social (Geraldi, Ferreiro, Teberosky, Lerner, Weisz e Sanchez). As conclusões do estudo apontam para o predomínio de atividades de escrita em uma perspectiva notacional, nas quais prevalecem o objeto e a razão do escrever em detrimento da definição de interlocutores. Em outras palavras, a escrita na escola configura-se mais como objeto de aprendizagem do que como prática comunicativa. O ensino, por sua vez, aparece geralmente centrado no professor, isto é, com poucas oportunidades de reflexão e interação entre alunos. No conjunto dos dados, comprovou-se a oscilação entre turmas do mesmo ano e também na progressão de cada turma, o que põe em evidência a difusão das atividades de língua portuguesa em planos de trabalho nem sempre coerentes com o perfil das turmas ou com as diretrizes de ensino. A análise desses dados remete à necessidade de se repensar os planos de ensino e a progressão do trabalho na escola, além de subsidiar projetos de formação docente.

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Maria Angélica Olivo Francisco Lucas

Maria Angélica Olivo Francisco Lucas

Pós-doutorado – Data da defesa: 02/2018 (FEUSP/SP)

Título: Ensino da escrita na educação infantil: concepções e perspectivas da prática pedagógica

Resumo: O objetivo deste relatório é apresentar os resultados da pesquisa “Ensino da escrita na educação infantil: concepções e perspectivas da prática pedagógica” cujo objetivo principal foi investigar a compreensão acerca dos processos de alfabetização e letramento pelos professores de educação infantil do município de Maringá-PR no contexto de ampliação da escolarização obrigatória. Partimos da hipótese de que tanto os “recentes” aportes teóricos sobre a linguagem e o ensino da língua escrita como as mudanças na estrutura da Educação Básica contribuem para sustentar diferentes concepções e perspectivas de trabalho pedagógico na educação infantil. É no movimento de progressiva democratização da educação brasileira que se estende até os dias atuais, envolvendo a ampliação da escolarização obrigatória (dos 4 aos 17 anos), exigindo reorganização da educação infantil, que localizamos nossa investigação. Nesse contexto, em diferentes instituições de educação infantil, observamos um fenômeno que novamente acende a contenda que envolve essa relação: o trabalho pedagógico que ora exclui a escrita das ações pedagógicas, ora prioriza o ensino do código escrito, desde a mais tenra idade, muitas vezes sem vinculá-lo aos seus usos sociais e em detrimento de outros aspectos que envolvem o desenvolvimento da linguagem. Salientamos que, em ambas situações, desassocia-se alfabetização de letramento. Tais situações instigaram-nos e, certamente, justificam a iniciativa da pesquisa. A partir dessa motivação, definimos a questão norteadora da pesquisa: como a ampliação da escolarização obrigatória influenciou a compreensão dos professores de educação infantil acerca do processo de aprendizagem da escrita (no que concerne à alfabetização e do letramento)? Trata-se de uma pesquisa qualitativa, cujos dados foram coletados por meio de três instrumentos: questionário fechado, questão de múltipla escolha e entrevista semiestruturadas para apreender as concepções de alfabetização e letramento apresentadas por eles. Para efeito de apresentação dos resultados obtidos, organizamos o presente relatório em cinco capítulos interdependentes. No primeiro capítulo, intitulado ‘Panorama da expansão da escolarização obrigatória’, apresentamos o contexto de ampliação da escolarização obrigatória. No segundo, ‘Concepções de educação, homem e linguagem’, discutimos acerca de três concepções de linguagem: como expressão do pensamento, como instrumento de comunicação e como prática discursiva. ‘Aprendizagem da escrita pela criança: contribuições da Teoria Histórico-Cultural’ é o título do segundo capítulo, no qual destacamos algumas contribuições advindas das investigações de Vigotski (2000) e Luria (2010) para a compreensão do processo de ensino e aprendizagem da escrita na infância. No terceiro capítulo, cujo título é ‘Alfabetização e letramento: relação de interdependência e indissociabilidade’, refletimos acerca do movimento de redefinição do conceito de alfabetização e do movimento de conceituação do processo de letramento, situando o desafio de diferenciar e relacionar os dois conceitos tendo em vista o alfabetizar letrando. No quarto capítulo, intitulado ‘Caminhos metodológicos da pesquisa’, apresentamos os procedimentos preliminares utilizados para a consecução da pesquisa, o lócus e o perfil dos sujeitos que participaram da investigação. O objetivo do quinto capítulo, ‘Alfabetização e letramento: concepções de professores de educação infantil’, foi averiguar como os professores de educação infantil compreendem os processos de alfabetização e letramento. Concluímos esta pesquisa, destacando evidências que marcaram as respostas das professoras entrevistadas, das quais derivam algumas implicações pedagógicas.

Marina Bulbow Gozzi

Marina Bulbow Gozzi

Mestrado – Data da defesa: 24/04/2017 (FEUSP/SP)

Título: O uso da pontuação na escrita infantil

Resumo: A pontuação é parte integrante da língua escrita e sua aprendizagem significa uma importante construção cognitiva que favorece as práticas do ler, escrever e interpretar. Fazer uso de marcas pontuacionais em um texto pressupõe uma certa consciência linguística na composição discursiva e na organização textual. Tendo como pressupostos que a aprendizagem da leitura e da escrita é um direito de todo cidadão brasileiro e que essa habilidade deve ser desenvolvida em âmbitos escolares (incluindo a assimilação de recursos linguísticos como a pontuação), a presente pesquisa tem por objetivo analisar de que forma a pontuação aparece nas produções infantis de um grupo de alunos de Ensino Fundamental e como ocorre a progressão desse uso em um período-chave para o caso estudado, qual seja: do 2º semestre do 3º ano ao 1º semestre do 5º ano. Para isso, por meio de uma pesquisa qualitativa longitudinal, foi realizado o estudo de caso que envolveu o acompanhamento de um grupo de 12 alunos de uma escola estadual, localizada na Região Leste da cidade de São Paulo. Nas quatro etapas da coleta (realizadas com intervalos de seis meses), foram propostas duas atividades para posterior análise: reescrita e correção textual. Ancorada nas concepções interacionistas e construtivistas de língua, ensino e aprendizagem, a análise dos dados permitiu verificar que o grupo de alunos estudado incorporou gradualmente as marcas de pontuação, evidenciando modos de apropriação relacionados à frequência e à convencionalidade das construções linguísticas mais usuais, havendo, no entanto, espaço para experimentações pessoais e hipóteses endógenas de formas mais ou menos sistematizadas. Esse dado corrobora a ideia de que, no esforço cognitivo para compreender a escrita, as crianças são capazes de levantar hipóteses sobre o uso da pontuação; é por meio desses usos singulares que vão, gradativamente, compreendendo a função de cada marca pontuacional e fazendo as sistematizações necessárias. Foi possível constatar, também, que, durante a sucessão dos anos escolares, a progressão do uso da pontuação manteve um certo paralelismo nos diferentes tipos de atividade, o que comprova a ideia de que a compreensão sobre o papel das marcas pontuacionais pode ser transposta para diferentes práticas de escrita. Em que pese o interesse pedagógico dessa aprendizagem, consubstanciada cada vez mais pelo uso sistemático e convencional da pontuação, questiona-se o quanto ela pode se contrapor à postura de um escritor que, conformando-se com as regras, deixa de se arriscar na produção textual.

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Vera Lucia Fellipin dos Santos

Vera Lucia Fellipin dos Santos

Mestrado – Data da defesa: 08/10/2015 (FEUSP/SP)

Título: O livro de imagem como base para produção oral e escrita de crianças no Ensino Fundamental

Resumo: O trabalho tem por objetivo investigar como crianças do terceiro ano do Ensino Fundamental de uma escola pública de São Paulo produzem textos narrativos orais e escritos a partir de um livro de imagem. Amparado pelo referencial teórico de Vygotsky, Bakhtin, Ferreiro, Soares, Colello, Geraldi, Kato, Fiorin e Rojo, entre outros, o estudo partiu de uma concepção sócio-interacionista de educação e dialógica de língua, apresentando também considerações acerca da literatura infantil, da necessidade de investimento na formação do leitor e da importância de se pautar o ensino da língua na escola como um processo reflexivo, particularmente no que diz respeito à compreensão dos gêneros textuais. Para a coleta do material, dez crianças foram convidadas, individualmente, a produzir um texto oral e outro escrito, após leitura de um livro de imagem. A análise dos textos foi realizada com base nos estágios da estrutura narrativa propostos por Fiorin e Savioli. O estudo comparativo das produções confirmou a relevância pedagógica do uso do livro de imagem, evidenciando que o uso de variadas modalidades de expressão pode favorecer a aprendizagem de crianças com diferentes competências. Também foi observada a pouca variação entre as produções orais e escritas, ao mesmo tempo em que se identificou que as crianças apresentam dificuldades em pontos específicos da narrativa, dependendo do estágio em questão. Com isso, destacamos a importância de se conhecer o processo de construção na produção dos textos narrativos, a fim de se ajustar o ensino às necessidades das crianças.

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Elaine Gomes Vidal

Elaine Gomes Vidal

Mestrado – Data da defesa: 7/10/2015 (FEUSP/SP)

Título: Projetos didáticos em salas de alfabetização: desafios da transposição didática.

Resumo: Considerando-se os projetos didáticos propostos por Lerner como um recurso para se conciliarem propósitos didáticos e comunicativos em classes de alfabetização, a presente pesquisa teve por objetivo compreender como o trânsito entre conceber, planejar e executar subsidia os professores na construção de sua prática pedagógica de projetos didáticos. Partindo de uma concepção interacionista de aprendizagem, e dialógica de língua, sustentadas por referenciais teóricos como Piaget, Vygotsky, Bakhtin, Ferreiro e Lerner, e apoiando-se também na triangulação didática proposta por Chevallard, o estudo pautou-se em três eixos de investigação: o aluno e seus processos de aprendizagem, a língua como objeto de ensino e a didática dos professores. Cada um deles foi analisado em três instâncias: concepções, intencionalidades e práticas. Trata-se de um estudo de três casos, visando acompanhar o trabalho de professoras de 1º, 2º e 3º ano do Ensino Fundamental. Suas concepções, nos três eixos, foram aferidas através de entrevistas semiestruturadas. As intencionalidades foram inferidas a partir da análise documental dos planejamentos cedidos pelas docentes. A análise das práticas deu-se através de observações não participantes em sala de aula. Os dados foram analisados sob a óptica do paradigma do indiciário proposto por Ginzburg. Concluiu-se neste trabalho que o processo de construção de concepções docentes é híbrido e marcado por diferentes referências que circulam na esfera educacional, com diversos níveis de apropriação. Os dados coletados demonstraram que, além da concepção em que se fundam, diferentes elementos do contexto escolar interferem nas intencionalidades e planejamentos dos professores. A prática pedagógica, por sua vez, embora receba a influência das concepções e intencionalidades docentes, oscila em função de uma multiplicidade de fatores internos e externos. Com isso, a pesquisa demonstrou o processo de construção didática docente e trouxe novos elementos à reflexão sobre as abordagens de formação inicial e continuada dos professores. Além disso, evidenciou a necessidade de iniciativas que possam ampliar a produção de conhecimento didático e, ainda, promover a reflexão dos docentes sobre o próprio trabalho, em especial sobre as práticas de alfabetização e os projetos didáticos. Palavras-chave: Alfabetização. Projetos didáticos. Triangulação didática. Didática da língua escrita.

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Gisleni Bertoni de Almeida

Gisleni Bertoni de Almeida

Doutorado – Data da defesa: 21/6/2012 (FEUSP/SP)

Título: Representações docentes no ensino médio: leitura, escrita e aprendizagem por competências no currículo do estado de São Paulo

Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo apreender as representações docentes acerca de concepções básicas do Currículo proposto pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo em 2009: a leitura e a escrita, que são tomadas como um eixo prioritário nas diferentes áreas do Ensino Médio, e a aprendizagem por competências. A expectativa de que o confronto entre as representações e os princípios curriculares pudessem resultar em subsídios para compreender as formas de assimilação do programa e suas possíveis implicações pedagógicas fortaleceu a iniciativa deste estudo. Assim, considerando a complexidade inerente ao processo de inovação curricular baseado em princípios específicos e desafiadores, a investigação partiu da seguinte questão: como a proposta do Currículo oficial do Estado de São Paulo para o trabalho centrado nas competências em leitura e escrita no Ensino Médio está sendo incorporada pelos docentes? Tomando como pressuposto que a possibilidade de implementação do novo passa pela assimilação conceitual dos professores, que se evidencia no plano discursivo, buscou-se na Teoria das Representações de Lefebvre a fundamentação teórica para a análise das entrevistas realizadas com 12 professores de diferentes áreas de uma escola estadual da Grande São Paulo, o que permite situar o trabalho como um estudo e caso. Com base no mapeamento das concepções docentes, feitas em dois eixos de abordagem – a leitura e a escrita no Ensino Médio e a aprendizagem por competências -, foi possível apreender diferentes representações. No primeiro eixo, a leitura e escrita podem ser compreendidas como recurso para o acesso ao saber escolar, o acesso ao mercado de trabalho, a compreensão sobre o mundo e a ação sobre o mundo. No segundo eixo, as competências aparecem ora sob a forma de representação dicotômica, segregando conteúdos e competências, ora como representação sincrética que, em uma perspectiva prática, vincula competências à leitura e escrita, ou ainda como representação analítica, processada no plano teórico em argumentos que se aproximam da concepção prevista pelo Currículo. No conjunto dos depoimentos, observa-se que a presença do novo altera posturas, desencadeando reações de adesão ou de resistência em diferentes modos de representar os princípios propostos pela SEE. Daí a dificuldade de se garantir na escola a assimilação uniforme, plena e profunda entre os docentes a ponto de fortalecer o trabalho em equipe e subsidiar uma implementação da proposta coerente com o novo paradigma curricular. Mais do que a transmissão de ideias, a assimilação dos novos princípios faz parte de um complexo processo de entendimento e ressignificação do trabalho escolar, além da disponibilidade para lidar com a revisão das práticas.

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Irene Garcia Costa de Souza

Irene Garcia Costa de Souza

Doutorado – Data da defesa: 3/6/2012 (FEUSP/SP)

Título: A singularidade constituída na relação entre o professor e a escola

Resumo: A presente pesquisa tem como objetivo mapear os processos de subjetivação docente na escola de Educação Infantil da Cidade de São Paulo a partir de dois eixos: eu profissional que analisa a trajetória até a docência de Educação Infantil, e, eu na profissão que investiga o exercício profissional docente. A partir do referencial histórico-cultural, entende-se o sujeito em uma perspectiva complexa perpassado pela história e pela cultura, em processo de constituição permanente, cuja atividade profissional também é complexa envolvendo-o intelectual e afetivamente. Assim, a forma como cada professor atua profissionalmente se sustenta com base em conhecimentos e em modos de fazer e ser professor, em processos que, por um lado, são constituídos socialmente, mas, por outro lado, são singulares. A partir deste pressuposto, a Teoria da Subjetividade, desenvolvida por Luís Fernando González Rey, fundamenta o trabalho contribuindo com a explicitação de conceitos como subjetividade, subjetividade individual e subjetividade social, que auxiliam na problematização e análise dos dados. A investigação assumiu três critérios considerados determinantes não só para a compreensão do percurso histórico da Educação Infantil em São Paulo, como para os processos de subjetivação docente: a função da escola de Educação Infantil, as concepções de criança e aprendizagem e o sentido do papel do professor. As narrativas autobiográficas dos professores foram estimuladas por uma entrevista semiestruturada. Como sujeitos da investigação selecionou-se 12 professoras de Educação Infantil subdivididas em 4 grupos referenciados nos tempos de exercício da profissão docente (1975-1984, 1985-1994, 1995-2004, 2005-2011) que fundamentaram a análise do percurso histórico e do mapeamento dos processos de subjetivação dos professores. Conclui-se nesta pesquisa que o processo de subjetivação docente é marcado fortemente pelo cotidiano vivido nas escolas, perpassado pelas condições de trabalho, pelas relações pessoais e, pelos sujeitos que nela atuam. Na subjetividade individual dos docentes o sentido de ser professor de Educação Infantil se transforma na passagem do eixo eu profissional para o eixo eu na profissão revelando frustração e desencanto dos sujeitos, resistências e desistências. Por sua vez, a subjetividade social da escola de Educação Infantil é caracterizada pela tensão e pelo conflito gerado por incertezas quanto à sua especificidade, pela oscilação entre diferentes perspectivas de sua função, da criança e do professor. Assim, os profissionais possuem sentidos subjetivos diferenciados, que constituem a forma como veem a si e sua profissão e, como se posicionam em seu contexto de trabalho: a escola. Esta conclusão traz implicações para a reflexão sobre as abordagens formativas desses professores, permitindo postular a necessidade de se considerar como parte do processo formativo o sujeito professor e a subjetividade docente, envolvendo pensamento, afetividade e vontade.

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Priscila Maria Sbizera Bolognesi

Priscila Maria Sbizera Bolognesi

Mestrado – Data da defesa: 4/2/2012 (FEUSP/SP)

Título: Rodas de leitura na escola: do envolvimento dos alunos aos processos de reflexão

Resumo: Partindo dos pressupostos de que os alunos, desde as séries iniciais da escolaridade, têm papel ativo no próprio aprendizado, sendo capazes de elaborar concepções, lidar com hipóteses e adotar uma postura investigativa frente aos objetos de estudo, e de que a escola é a instituição responsável por inseri-los amplamente no mundo letrado, formando usuários competentes da língua escrita nas diversas situações comunicativas, o objetivo da presente pesquisa é investigar o potencial pedagógico de uma atividade de leitura literária: a roda de leitura. Com base no referencial socioconstrutivista, em especial nos estudos de Jean Piaget, Emilia Ferreiro, Lev Vygostky e Mikhail Bakhtin e, ainda, nos de Wanderley Geraldi, Délia Lerner, Regina Zilberman e Teresa Colomer sobre didática do ensino da língua ou da leitura literária na escola, o trabalho visa contribuir para revisão das práticas de ensino da leitura e da literatura no início da escolaridade. Concebendo a leitura literária como uma prática de fruição estética e um meio plural de acesso à cultura, a investigação apoia-se em três eixos de abordagem: a análise do vínculo de 28 alunos entre 7 e 8 anos de idade com as rodas diárias de leitura e com as histórias nelas apresentadas e o mapeamento das reflexões temáticas e linguísticas que eles foram capazes de tecer a partir de diferentes textos literários. Para tanto, organizaram-se duas situações de coleta de dados: uma roda de leitura de um conto e uma de uma crônica, ambas seguidas de questionários. Os dados coletados a partir das respostas aos questionários e também dos registros em diário de campo durante as leituras permitiram verificar que as crianças se vinculam tanto às rodas diárias de leitura como às histórias, por meio de mecanismos sociais, afetivos e cognitivos. No que tange às reflexões linguísticas e temáticas, os dados confirmaram diversas possibilidades de elaboração pessoal independentemente da competência para ler e escrever, o que comprova o potencial da roda de leitura para a formação de leitores críticos e autônomos. Além disso, ao evidenciar o caráter complexo e heterogêneo dos processos de aprendizagem da leitura, os resultados apontam a importância da organização de atividades que, respeitando as singularidades, promovam a aprendizagem para todos, favorecendo a formação de hábitos de leitura e despertando o gosto pela literatura

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Érica de Faria Dutra

Érica de Faria Dutra

Mestrado – Data da defesa: 28/3/2011 (FEUSP/SP)

Título: A revisão textual nos anos iniciais da escolaridade: percursos e procedimentos

Resumo: Escrever um texto com sentido, garantindo a compreensão para um destinatário e atendendo a um dado propósito não é tarefa simples, principalmente quando quem escreve são crianças recém-alfabéticas. Revisar o texto, nesta perspectiva, contribui significativamente para uma produção mais ajustada à interlocução posta pela escrita. Por isso, a revisão é uma prática que torna possível a reflexão sobre muitos aspectos da língua escrita, podendo ser vista como um conteúdo essencial para apropriação das habilidades textuais. Os pressupostos que embasam este trabalho estão apoiados na concepção de ensino e aprendizagem sócio-histórica que ressalta a importância da interação e a complexidade do processo redacional. De fato, além da constituição da situação interlocutiva, a escrita pressupõe a familiaridade com o gênero e as possibilidades de planejar, textualizar, revisar e até editar, quando for o caso. Partimos da concepção bakhtiniana de linguagem, que considera a escrita como processo dialógico, e do ensino da escrita centrado nas práticas interlocutivas entre sujeitos ativos e responsivos. A partir deste referencial, pretendemos estudar a prática de revisão como fonte inesgotável de reflexões e aprendizagens. Nosso objetivo é investigar as principais tendências de revisão em crianças do primeiro e segundo ano do Ensino Fundamental, em um intervalo de sete meses, comparando versões feitas individualmente e em duplas. Interessa-nos também analisar os recursos utilizados nas alterações feitas nos textos. Para tanto, foi proposto a alunos de uma escola, situada em São Paulo, a reescrita do conto Diamantes e sapos e a revisão desta produção em dois momentos distintos. Com base nos 54 textos que compõem o corpus da presente pesquisa (18 de reescrita e 36 de revisão), pudemos situar dois relevantes eixos de análise, o discursivo e o notacional, a partir dos quais cinco critérios apareceram como ocorrências significativas: enredo, linguagem, pontuação, segmentação de palavras e ortografia. Os dados coletados permitem constatar que, mesmo sem ter conhecimentos sistemáticos sobre os aspectos revisados, as crianças foram capazes de variadas reflexões acerca da língua, o que nos permite repensar os paradigmas do tradicional cenário pedagógico: mais do que corrigir a ortografia e aprimorar a legibilidade do texto, as crianças recém-alfabéticas são também capazes de lidar com aspectos da linguagem, procedimento este que normalmente é considerado viável apenas a escritores mais experientes. Além disso, a pesquisa evidencia que a própria prática de revisar proporciona a construção de saberes que se processam ao longo da sistemática participação em situações nas quais os alunos são estimulados a aprimorar sua produção textual. Os resultados, entretanto, não são imediatos; as conquistas colhidas nas práticas de revisão são tributárias de um percurso que, para além dos ganhos pontuais (a revisão em cada texto), justificam a longo prazo o desenvolvimento da aprendizagem da língua escrita

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Glauci Helena Móra Dias

Glauci Helena Móra Dias

Mestrado – Data da defesa: 25/6/2009 (FEUSP/SP)

Título: Ensino de português: a caixa-preta da gramática pedagógica

Resumo: À luz da concepção bakhtiniana de linguagem e do pressuposto de que ensinar a língua não é ensinar gramática normativa, o trabalho tem por objetivo analisar uma gramática considerada como modelo da indústria cultural, a Gramática da Língua Portuguesa, de Pasquale e Ulisses. Este exame parte de quatro eixos de investigação, a saber: concepções teóricas, abordagem didático-metodológica, enfoque relacional e dimensão mercadológica. Levando em conta a relevância dos estudos sobre os livros didáticos no ensino de língua materna, a pesquisa objetiva contribuir para os debates educacionais e para a revisão das concepções de ensino de língua portuguesa, com fundamentação na lingüística moderna e nos postulados de Giroux, Bakhtin, Bourdieu, Freire, Eco e Bonazzi, Nozella e Olson. A pesquisa visa também compreender a organização da mencionada gramática pedagógica, tanto no que diz respeito à proposta, ao objeto e ao referencial de ensino de português, bem como a tendências e significados assumidos por seus autores. Para tanto, examinam-se as concepções de linguagem e suas implicações, as exigências mercadológicas da indústria cultural e os atuais dilemas da formação do professor no Brasil. Desta forma, não se trata apenas de apontar as adequações e inadequações da referida gramática à luz da lingüística moderna, mas também de avaliar a coerência interna da obra pelo confronto entre seus princípios e as atividades práticas propostas. Igualmente, permeia esta dissertação o questionamento sobre os fatores que fazem a gramática pedagógica de Pasquale e Ulisses encontrar eco na escola, e como os autores organizam seu trabalho para contemplar estas demandas. As conclusões do estudo apontam para a aceitação desta obra, na escola e na sociedade, pautando-se significativamente nos fatores interferentes na produção do material didático, que nascem na indústria cultural e ganham força no mercado editorial. Evidencia-se também como o ensino da língua pode fortalecer concepções equivocadas, acirrando os mecanismos de discriminação lingüística.

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Márcia Martins Castaldo

Márcia Martins Castaldo

Doutorado – Data da defesa: 24/3/2009 (FEUSP/SP)

Título: Redação no vestibular: a língua cindida

Menção Honrosa no concurso CAPES de teses – 2010 – Resumo: Ao término da Educação Básica, espera-se que um indivíduo esteja habilitado a redigir adequadamente em qualquer situação, que saiba interagir com a palavra para a produção escrita nos diversos gêneros textuais em circulação. Embora tais expectativas se realizem em alguns casos, em geral, a realidade vivenciada é diversa: mesmo após completarem os ensinos Fundamental e Médio, muitos sujeitos elaboram textos repletos de desvios, marcas que expõem as muitas dificuldades com a produção escrita, as quais revelam uma língua cindida entre um saber-dizer e um dever-dizer. Questionamentos sobre o que leva a essa cisão motivaram esta pesquisa. Considerando-se a perspectiva sócio-histórica, os conceitos bakhtinianos de gênero, dialogismo e polifonia, bem como preceitos da Lingüísitca Textual, o trabalho consistiu na análise de elementos composicionais da redação dissertativa de vestibular, gênero que desafia estudantes interessados em ingressar no Ensino Superior. Mais especificamente, foram analisados: (a) a norma lingüística, (b) os índices de pessoalidade e (c) a macroarticulação em uma amostra de 374 redações (1% do total) produzidas por candidatos inscritos no Vestibular-2007 promovido pela FUVEST (Fundação Universitária para o Vestibular) São Paulo, Brasil. Foram analisadas, também, algumas relações entre o perfil sócio-histórico dos candidatos e os perfis de escrita verificados nos textos. Depreendeu-se, das observações realizadas, que a excessiva preocupação com o outro, com o molde e com a demonstração do saber-fazer interfere no movimento de exteriorização do discurso: em vez de tentar levar ao texto seu universo e sua idéia, o estudante se propõe à tarefa de levar, para o papel, mundo e idéias presumidos do interlocutor e da interlocução, vivencia um confronto – e não uma negociação – entre um saber-dizer que se esvaece diante de um dever-dizer e cinde a língua. As observações realizadas revelaram, ainda uma escolarização que, no âmbito de sua atuação, parece não promover satisfatoriamente condições para o desenvolvimento de estratégias para o diálogo entre os saberes, parece não promover satisfatoriamente a possibilidade de escrever com autonomia.

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Teresa Cristina Fernandes Teixeira

Teresa Cristina Fernandes Teixeira

Mestrado – Data da defesa: 11/4/2008 (FEUSP/SP)

Título: Da educação infantil ao ensino fundamental: com a palavra a criança: um estudo sobre a perspectiva infantil no início do percurso escolar

Resumo: Tendo em vista que as relações estabelecidas pela criança com a escola, com seus colegas e professores e com a aprendizagem são fatores constituintes do sucesso escolar, considero que a passagem da Educação Infantil (EF) para o Ensino Fundamental (EF) seja um momento especialmente importante no estabelecimento dessas relações, podendo ter forte impacto na forma como as crianças lidam com a escola. Calcado nesses pressupostos, o objetivo deste trabalho foi o de ouvir as crianças, procurando identificar e mapear sentidos que podem ter para elas suas formas de interagir com a escola nesse momento de transição. A interação da criança na escola (com a cultura escolar, com os atores sociais desse contexto e com a língua escrita enquanto objeto de conhecimento) foi o objeto desta pesquisa, numa perspectiva histórico-cultural (Vygotsky) e enunciativo-discursiva (Bakhtin). A pesquisa foi realizada em duas escolas públicas de São Paulo, acompanhando 20 crianças em dois momentos: na Fase I em classes do último estágio da EI e, na Fase II, em classes da 1ª série do EF. Foi adotada uma abordagem de caráter etnográfico, articulada ao enfoque microgenético apoiado na concepção enunciativo-discursiva da linguagem. Os depoimentos foram obtidos através de entrevistas individuais e grupos focais. Como forma de favorecer a interlocução e ampliar a possibilidade expressiva, foram coletados também desenhos das crianças sobre a escola. A partir da análise dos dados, foi possível constatar a tendência das crianças a perceber ambas as escolas como um lugar para brincar com colegas, apesar dos limites das regras disciplinares e das práticas pedagógicas que pouco favorecerem a dialogia e a ludicidade. Assim como a brincadeira, a conversa e as eventuais tensões entre crianças confirmam-se como recursos constitutivos do sujeito e das relações escolares. A forma como a criança interage com a professora, de forma similar nas duas escolas pesquisadas, pode ser compreendida dentro de um modelo de relação educativa tradicional, sendo o professor, na díade com o aluno, quem detém a primazia do saber e do poder. A interação com a língua escrita, para a maioria das crianças pesquisadas, não se configurou como fonte de interesse direto, prevalecendo motivações extrínsecas à realização das atividades de ler e de escrever, principalmente na escola de EF. Houve entretanto a atribuição de valor positivo à possibilidade de conquista de novos conhecimentos, sendo a escola associada ao seu papel social como transmissora de saber. Pode-se assim compreender o fascínio que parece exercer sobre as crianças a chegada à “escola dos maiores”, representando a conquista de outros espaços, novas responsabilidades e conhecimentos socialmente reconhecidos. Nesse contexto, percebeu-se uma forte tolerância das crianças ao lidar com queixas relativas a aspectos considerados difíceis na EF, não se configurando uma “cristalização” ou “preconceito” contra o funcionamento escolar. A criança parece ter nesse momento uma vontade intensa de fazer dar certo sua experiência como aluno. Enfim, esse momento inicial do percurso escolar parece reunir condições especialmente favoráveis para a criança desenvolver vínculos positivos com a escola, o que, infelizmente, nem sempre tem sido bem aproveitado pelos educadores.

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Maria Aparecida Lima Dias

Maria Aparecida Lima Dias

Doutorado – Data da defesa: 9/8/2007 (FEUSP/SP)

Título: Relações entre língua escrita e consciência histórica em produções textuais de crianças e adolescentes

Resumo: As concepções empiristas de aprendizagem no ensino de História centram-se, via de regra, na transmissão de fatos e conceitos por meio da exposição do conteúdo e dos exercícios de fixação. No ensino da língua escrita, privilegiam o domínio do código e da ortografia, centrando-se mais nas estruturas do que nos usos. Opondo-se a isso, o presente estudo parte de uma revisão conceitual sobre a História e o ensino de História, a escrita e o processo de aprendizagem desse sistema de representação, instituindo-os como um paradigma educativo voltado para a formação do sujeito pensante. Com base nesse pressuposto, o presente trabalho pretende contribuir para a compreensão dos processos cognitivos movidos na complexidade das relações interdisciplinares, mais especificamente, tomando o imbricamento entre o desenvolvimento da consciência histórica e da competência narrativa. Calcada nas reflexões de Vygotsky e Bakhtin sobre a relação palavra e consciência, e de Rüsen sobre a consciência histórica enquanto aprendizagem, a pesquisa teve como objetivo mapear, nas produções escritas, as operações lingüísticas dos alunos, das quais emergem e se transformam fragmentos da consciência histórica. O corpus da investigação foi constituído por 134 produções textuais de 67 estudantes (29 da 5ª série e 38 da 8ª série do Ensino Fundamental) de uma escola municipal de São Paulo. Com o fim de avaliar o processo de transformação da língua e da consciência histórica, a coleta incidiu na escrita e reescrita de um texto: na primeira produção, os alunos foram convidados a se pronunciar sobre um fato cotidiano, explicando a sua ocorrência no presente; na segunda, foram desafiados a reconsiderar a sua produção a partir de uma vivência que pretendeu ampliar os recursos lingüísticos e a complexidade da situação em pauta. A análise comparativa de ambas as produções foi feita com base no paradigma indiciário formulado por Guinzburg. Os resultados apontam para a pluralidade dos processos cognitivos e das estratégias de linguagem, evidenciando a natureza das relações entre a aprendizagem de História e da escrita. Nessa perspectiva, as conclusões fortalecem, indiscutivelmente, as bases para a constituição de uma educação transformadora.

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Andrea Luize

Andrea Luize

Mestrado – Data da defesa: 27/3/2007 (FEUSP/SP)

Título: O processo de apropriação da escrita na infância: situações interativas na produção textual

Resumo: A partir do pressuposto de que a escola é responsável pela inserção cada vez mais ampla dos sujeitos na cultura letrada – o que implica assumir a formação de leitores e escritores competentes como uma das principais metas educativas – e do fato de que as crianças precisam ser consideradas, desde as séries iniciais da educação infantil, como efetivas usuárias da língua escrita, o trabalho tem por objetivo investigar reflexões e ações dos pequenos aprendizes frente a tarefas desafiadoras de produção textual. Tomando a escrita como um sistema de representação configurado em diferentes gêneros textuais, entendendo que interações com esse objeto de conhecimento e com outros aprendizes são necessárias para a ampliação da competência escritora, pretende-se fazer uma análise dos processos de oito duplas de crianças, de 4 a 6 anos. Para tanto, foi proposta a produção de quatro textos (duas parlendas e duas listas) com base em diferentes variáveis: textos conhecidos de memória e textos cujo conteúdo precisava ser criado; textos com estruturas e propósitos comunicativos diversos; textos escritos no computador ou com lápis e papel; textos com a presença de dois sistemas de notação (letras e números). Interessam a esta análise as informações e conhecimentos (de natureza conceitual ou procedimental) intercambiados entre as crianças, que subsidiaram as decisões tomadas na composição dos textos. Os dados coletados permitem a constatação da amplitude das reflexões que as crianças são capazes de realizar, mesmo sem o domínio das convenções do sistema de escrita ou dos gêneros textuais. Além disso, o estudo objetiva situar a interação entre as crianças como fator relevante para as conquistas individuais em seus processos de aprendizagem. Assim, a análise dos dados tem como meta captar os processos cognitivos, mapeando suas tendências mais típicas e, ao mesmo tempo, apreendendo as suas singularidades a fim de enfocar a diversidade inerente à construção do conhecimento e que precisa ser um dos pilares do ensino da escrita. À luz dos postulados de teóricos construtivistas (sobretudo das referências de Piaget, Vygotsky, Coll, Ferreiro e Teberosky) e também de outros teóricos que destacam a importância da interação social na aprendizagem da escrita (entre os quais Bakhtin), a análise de aspectos discursivos e de aspectos notacionais, evidenciados nos processos de elaboração textual, visa contribuir para a revisão das atuais práticas escolares de ensino da escrita, defendendo princípios didáticos pautados na interação, na concepção de escrita como objeto social e histórico de conhecimento e na complexidade da aprendizagem desse objeto.

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Maria de Lurdes Valino

Maria de Lurdes Valino

Mestrado – Data da defesa: 9/5/2006

Título: Quem não sabe ler nem escrever pede favor. Até quando?

Resumo: Com base no pressuposto de que o ingresso na escola e um maior acesso ao mundo letrado são fatores transformadores da identidade, esta pesquisa teve por objetivo investigar a modificação ocorrida em jovens e adultos analfabetos, quando em processo de alfabetização, no curso de Educação de Jovens e Adultos. O corpus é constituído pelos depoimentos de 15 alunos – com idade entre 16 e 58 anos – de uma turma de alfabetização de um curso noturno de uma escola da rede particular, no município de São Paulo. Os depoimentos foram obtidos por entrevistas realizadas em três diferentes momentos do ano letivo, quando se buscou compreender como o sujeito, historicamente, se constituiu analfabeto e como lidou internamente com a auto-imagem e a imagem social negativas: o significado de ser analfabeto; o desejo e a necessidade de ler e escrever; a expectativa de aprendizagem; o enfrentamento dos fatores facilitadores e dificultadores; a expectativa quanto ao curso de Educação de Jovens e Adultos; o ingresso na escola e o maior acesso ao mundo letrado; as perspectivas de mudança e as resistências ao processo. A partir da marcante percepção da “falta”, evidente nos depoimentos, trabalhou-se, nesta dissertação, com a conceituação da díade analfabeto-analfabetismo, com o conceito de estigma que envolve o analfabeto e com o conceito de identidade como um processo em contínua mudança e a possibilidade de crescente transformação qualitativa. Com base nas referências teóricas fornecidas, principalmente, por Ciampa, Erikson e Goffman, entre outros, os resultados apontam para a evidência de que a transformação na identidade do jovem e do adulto alfabetizandos se realiza de acordo com a superação gradativa de dificuldades, o que, na prática, se traduz pela passagem do estado de analfabeto para o de alfabetizado. Essas transformações estão descritas em cinco momentos: 1) a percepção da falta; 2) a busca de correção de um defeito; 3) a assunção do papel de estudante; 4) a escrita do próprio nome e 5) a superação de limites, nem sempre previsíveis – em termos de enfrentamento das dificuldades relacionadas tanto à aprendizagem da leitura e da escrita quanto ao processo de se constituir como leitor e escritor num contexto altamente letrado.

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Roseli Pereira da Silva

Roseli Pereira da Silva

Mestrado – Data da defesa: 4/8/2004 (FEUSP/SP)

Título: Cinema e educação em valores: lidando com a formação moral na escola

Resumo: Em face da conjuntura do mundo contemporâneo, há um relativo consenso sobre a necessidade da escola incorporar como parte de suas atribuições a educação em valores, visando a formação moral dos alunos. Apesar disso, seja pela força da “tradição conteudista”, seja pela falta de diretrizes e recursos que viabilizem o resgate da ética e do respeito aos direitos humanos, os educadores têm encontrado dificuldades na implementação de programas dessa natureza. Assumindo esse desafio, a presente pesquisa propõe a alternativa do cinema enquanto recurso privilegiado para a formação do aluno, uma vez que o filme educa tanto pela via emotiva como pela via racional. Partindo das perguntas “como os jovens recebem o filme?”, “como o filme impacta os jovens?” e “como, a partir desse impacto, os jovens se dispõem a refletir sobre as temáticas propostas e a repensar as suas posturas?” o objetivo da pesquisa foi o de compreender o potencial pedagógico do cinema para a educação em valores. Realizada com um grupo de 22 adolescentes de uma escola particular de São Paulo, a pesquisa enfocou a temática da discriminação contra o negro, o homossexual e a mulher. Configura-se como um estudo de caso que pretendeu confrontar a vivência proporcionada por três filmes (“Homens de Honra”, “Filadélfia” e “Shirley Valentine”) com um típico mecanismo de perpetuação do estigma: as piadas. Com base no referencial dos mais recentes teóricos da moralidade, propõe-se um mapeamento das categorias de impacto e uma análise dos temas evocados pelos jovens a partir das narrativas apresentadas. As conclusões apontam para a necessidade da escola buscar novas alternativas que se configurem não só pelo seu valor metodológico, mas, acima disso, como referencial de trabalho na prática educativa e como estímulo para o desenvolvimento de novas pesquisas acadêmicas.

Maria Aparecida Vedovelo Sarraf

Maria Aparecida Vedovelo Sarraf

Mestrado – Data da defesa: 13/6/2003 (FEUSP/SP)

Título: O professor alfabetizador por ele mesmo: retratos da constituição docente

Resumo: Partindo do pressuposto de que o discurso de educadores representa uma significativa referência no processo de constituição profissional, o trabalho pretendeu investigar as concepções de professores, seus posicionamentos, graus de consciência sobre a sua condição docente e posturas pedagógicas em face do desafio que é a alfabetização. Abordando-se em dois momentos de formação – alunos concluintes do Curso Normal de Nível Médio e professores de 1ª série do Ensino Fundamental da rede pública – foram colhidos quarenta depoimentos em três eixos básicos de investigação: “a escolaridade do professor”; “a constituição dele como leitor e escritor” e “as suas concepções sobre a criança de 6/7 anos e sobre o ensino da língua escrita”. Um estudo de tal natureza merece especial consideração pelo momento histórico da educação brasileira que, fazendo um balanço sobre as mais recenes contribuições teóricas (inclusive no que diz respeito à alfabetização e ao letramento), discute novas alternativas de formação docente. Suas conclusões permitem: 1) confirmar a hipótese de que os percursos de formação são singulares e multifacetados; 2) situar o Curso Normal de Nível Médio como legítimo espaço para a formação de conceitos acerca do ensino-aprendizagem da língua escrita e 3) compreender a assimilação parcial e fragmentada dos professores acerca do processo de ensino-aprendizagem e, particularmente, da alfabetização. Por fim, o estudo permite uma análise de fatores relacionados à resistência de mudanças didático-metodológicas no ensino da língua escrita: por um lado, o comprometido processo de letramento dos professores alfabetizadores; por outro, a precária assimilação de um referencial teórico para subsidiar as práticas pedagógicas.